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"Cycles of Pain" traz Angra de volta as origens
Arte da capa
O Angra é uma daqueles raros casos de banda que só lança álbuns de alto nível. Se por um lado isso é bom para a banda pois aumenta a confiança na entrega de um trabalho com nível para desenvolver uma agenda de shows e fazer trabalhos promocionais pré-lançamento do álbum com revistas e sites, por outro, a entrega constante de trabalhos de qualidade leva os fãs e críticos a sempre exigir mais e ter um alto nível de expectativa com o material inédito entregue pela banda. E essa realidade não foi diferente com “Cycles of Pain”, novo álbum da banda lançado dia 3 de novembro deste ano.
O álbum abre com uma das já tradicionais faixas de abertura do Angra, “Cyclus Doloris”, com duração curta, coros de canto gregoriano e ambientação cinematográfica que já ajuda a passar um pouco do clima que o álbum vai ter. A faixa se liga à “Ride Into the Storm” através da teatralidade operística à lá Danny Elfman que se mostra uma típico faixa de abertura de álbum do Angra com seus pedais de bateria e baixo galopando como uma cavalaria às marchas de uma boa faixa de speed metal. Em um primeiro momento pode soar como mais uma faixa de abertura clichê do Angra, mas aqui, ela passa uma mensagem importante e poderosa: as características do Angra estão de volta. Não se trata mais de um álbum de metal progressivo com uma ou duas faixas de power metal, mas um álbum ao bom é velho estilo que fez o Angra se tornar o que se tornou misturando com muita harmonia e química o power do Helloween com o progressivo do Queensrÿche sem deixar que um estilo se sobressaia mais que o outro e dando leves pinceladas aqui e ali de música tradicional brasileira.
Video clipe de "Ride into the storm"
Se houvesse uma música que melhor resumisse o álbum como um todo e sua ambientação, sem dúvida, essa faixa seria “Dead Man on Display”. No próprio riff de guitarra introdutório da canção já fica claro a pegada dessa canção e desse álbum como um todo que vai pra uma direção mais dark e gótica ao passo que as melodias alegres e épicas do Angra tradicional mede forças com o novo estilo gótico/dark que este álbum propõe. Soa quase como duas forças antagônicas duelando musicalmente. O riff começa sombrio, o que sugere algo próximo do que bandas como o Avenged Sevenfold faz, mas acaba caindo em lugares mais iluminados próximo do que o Angra faria normalmente e outras bandas do gênero como o Stratovarius e o Sonata Arctica.
“Tide of Changes” ao mesmo tempo que consegue ser uma das melhores faixas e mais criativas do álbum com seu refrão que foge um pouco das formas tradicionais do Angra de compor usando escalas, também consegue soar como uma canção que foi, desnecessariamente, partida em duas para fazer o álbum render e parecer que tem mais faixas do que realmente tem. As partes 1 e 2 são claramente uma única música e não é como se uma continuasse a outra como se fossem um “Ato 1 e ato 2”. São realmente uma única música. “Vida seca” surpreende o ouvindo em uma primeira audição pela curta participação de Lenine, que canta apenas a introdução da faixa, contrariando a expectativa de que ele teria uma maior participação quando foi anunciado. Isso é deixado em segundo plano a partir da segunda ouvida e o que entra em pauta é a bela e inspirada melodia da canção que conta com uma das melhores letras do álbum.
Video clipe de "Tide of change"
“Gods of the World” parece ter sido feita para ser a faixa mais pesada e explosiva do álbum. Papel que “War Horns” cumpre e bem no álbum anterior com a participação de Kiko Loreiro. No mais é uma faixa power metal bem pesada ao melhor estilo Sabaton. A faixa título do álbum tenta trazer a excencia do que foi a faixa “Rebirth” para o seu álbum: uma faixa que é pesada demais para ser uma balada, leve demais para ser uma canção de power e que se sustenta pelos solos cheios de feeling e belas melodias. Infelizmente para “Cycles of Pain”, a faixa título deste álbum, não é nem de longe tão memorável quando “Rebirth” a ponto de ser uma faixa-titulo, embora ainda seja uma boa faixa lado B.
“Faithless Sanctuary” é a música que mais se aproxima do Angra dos álbuns anteriores com Leoni no vocal. Soa progressiva, bem trabalhada e com pitadas de influência de música indiana e do Oriente Médio em suas frases. “Here in the Now”, com a participação de Vanessa Moreno é, sem dúvida, a melhor e mais inspirada faixa do álbum. A canção teve duas versões: uma que entrou no álbum cantada por Leoni com backing vocais de Vanessa e uma inteiramente cantada por ela que saiu como faixa-bônus do álbum no Brasil. A música é inspiradíssima com seus tambores folk, que ironicamente lembram alguns trabalhos do Shaman e vocais de apoio à lá Tears for Fears.
Video clipe de "Vidas Secas"
“Generation Warriors” é mais uma canção de power para levantar o álbum depois de uma sequência de músicas progressivas ou semi-baladas. A canção se destaca pelo seu refrão pegajoso e pelo seu riff poderoso de guitarra. O álbum fecha com “Tears of Blood” que também possui duas versões: uma regular que entrou no álbum, e outra com participação de Kiko Loreiro, que entrou como faixa-bônus para a versão japonesa do álbum. A faixa tem participação especial de Amanda Sommeville do Avantasia e se destaca não só do restante do álbum como do restante de toda a discografia do Angra pela sua teatralidade. A música poderia tranquilamente ser uma faixa do Nightwish com sua ambientação gótica. Fecha o álbum com chave de ouro com os vocais líricos e operisticos de Leoni e Amanda.
No geral, o álbum novo do Angra, que conta com Fábio Leoni nos vocais, Rafael Bittencout na guitarra base, Marcelo Barbosa na guitarra solo, Felipe Andreoli no baixo e Bruno Valverde na bateria, além dos já citados músicos convidados, foi bem assertivo em trazer de volta a parceria do Angra com o produtor musical Dennis Ward que já trabalhou com a banda antes e que já conhece a sonoridade da banda e o que ela pode e deve entregar. O resultado é um álbum robusto que trás novidades para a discografia da banda sem descaracterizar demais o legado de anos de lançamentos que a banda já tem. Que os próximos lançamentos sejam lançados à luz da graça e inspiração que teve “Cycles of Pain”.
Ficha técnica
Lançamento: 3 de novembro de 2023
Gravadora: Atomic Fire Records
Gênero(s): Power metal, metal progressivo, folk metal, metal sinfônico
Produção/Mixagem: Dennis Ward
Capa: Angra
Por: Cléber Diniz em 07/12/2023
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