Resenhas
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Olá pessoas, semana passada eu trouxe para o blog a resenha do último álbum lançado pelo Rammstein titulado "Zeit" e hoje, como prometido semana passada, é a vez do Ghost, com seu álbum que está dando o que falar na internet: "Impera". Será que esse álbum é tão bom assim? Vamos descobrir juntos. Lembrando que você pode apoiar o blog compartilhando os posts com seus amigos para que mais pessoas conheçam meu trabalho. A programação desta semana está demais, com um ensaio postado ontem sobre o novo filme do Doutor Estranho, amanhã falaremos sobre a vida e obra da lenda dos mangás Osamu Tezuka e sexta a gente fecha a programação da semana falando sobre o grande evento astronômico do Eclipse Lunar completo que ocorrerá na madrugada de sábado para domingo e que poderá ser visto de todo o Brasil.
"Impera" é uma carta de amor ao oitentismo
Foto promocional do Ghost BC
"Impera" se inicia com "Imperuim", uma clara introdução para "Kaisarion" que, em meio a sua sonoridade hard rock ao melhor estilo Journey, se destaca pelos inspirados fraseados da guitarra de Fredrick Åkesson, enquanto aborda o tema que dá título ao álbum. A ascensão e queda de impérios ao longo da história. Este tema foi escolhido por Tobias Forge, vocalista do grupo sueco, após ter lido o livro "A regra dos impérios: Aqueles que os construíram, aqueles que os suportaram e porque eles sempre caem" de Timothy Parsons. O tema fica claro já pelo título da canção, cuja etimologia está em ceasareum, termo arcaico para imperio, uma vez que os kaisers, eram os títulos dos imperadores alemães baseado no latim cæsar (césar).
"Impera" se mostra mesmo um presente para os fãs de hard rock dos anos 80 com "Spillways". Ao se iniciar com o teclado de Martin Hederos, a canção inicialmente lembra canções como "Beat It" de Michael Jackson, tendo sua influência arrastada até "Poison" de Alice Cooper. É mesmo um deleite. A letra da canção tem uma certa influência de Hobbes ao sugerir que mantemos aprisionados uma besta dentro de nós para convivermos de aparências em sociedade. E olha ele aí de novo: Mefístófeles dá as caras no novo álbum do Ghost em "Call me little Sunshine", porque se existe uma regra no rock n' roll é que se você não fizer uma música sobre a peça "Fausto" de Johann Wolfgang von Goethe, você está fazendo rock errado. Ela se junta a outras canções com o mesmo tema como "The small print" do Muse e "The Devil and the Savant" do Edguy, com o mesmo tema, mas claro que trata-se de uma brincadeira, uma vez que o tema está presente na música há muito mais tempo, desde 1809 quando Beethoven compôs sua "Aus Ghoethe Faust: Es war einmalein Köning", passando até por Wagner com sua "Faust Overture" de 1850. Mas aqui ela assume uma roupagem mais Ozzy fase pós-Sabbath.
Vídeo clipe de "Call me little sunshine"
"Hunter's Moon" já era conhecida dos fãs da banda, pois foi lançada ainda em 30 de setembro de 2021 como tema do filme de terror "Helloween Kills: O terror continua". Embora não tenha sido escrita para o filme a canção foi escolhida por Tobias por julgar ser a que melhor se encaixava no tema, após ser convidado a escrever um tema para o longa pela própria produção do filme. Hux Nettemalm faz um bom trabalho na bateria aqui. "Watcher in the Sky" se parece mais com alguns trabalhos passados da banda, com seu refrão marcado e bateria e baixo cavalgando enquanto a guitarra e o vocal dão um fraseado mais oitentista para a canção. Destaque mais uma vez para os trabalhos de guitarra de Fredrick Åkesson, que aqui invoca o deus Eddie Van Halen.
"Dominion" é um instrumental ao som do órgão de Martin Hederos que funciona como introdução à "Twenties", abrindo o que seria nos tempos do vinil e fitas k7, o lado B do disco. Twenties se inicia com uma orquestra sob forte influência de Danny Elfman, que logo dá lugar a um vocal sussurrante sobre uma batida de folk afro, dando à canção um ar Gangrena Gasosa. É uma das canções mais diferentes e inspiradas do álbum. E como não pode faltar em um álbum de hard rock as famosas power balads, ou para os mais íntimos as baladinhas, "Darkness at the heart of my love" vem para aquecer os corações apaixonados com bela melodia, solo poderoso e refrão digno do Roupa Nova.
Vídeo clipe de "Hunter's Moon"
Após alguma experimentação, "Griftwood" volta à pegada anos 80, sendo talvez uma das que mais mergulha no estilo em todo álbum, remetendo a bandas como Poison e Def Leppard. Embora seja uma faixa do álbum, nem dá pra considerar "Bite of Passage" uma cançãoem si, pois está mais para uma introdução para "Respite on the Spitalfields", sendo praticamente a parte inicial da própria. Canção essa que é a faixa mais longa do álbum e o fecha com chave de ouro, abordando o tema de Jack, o estripador. Nesta canção elementos visto ao longo de todo álbum, como influência de power pop e hard rock anos 80, solos cheios de feeling, teclados, coros e orquestração, se juntam da melhor forma possível em um inspirado encerramento para o álbum.
"Impera" não é um álbum revolucionário dentro do rock e/ou do metal, mas é certeiro em pegar elementos que sempre funcionaram e aumentar o escopo de influências da banda, em um trabalho tecnicamente preciso sobre uma mixagem de altíssimo nível, feito pela lenda Andy Wallace, que já trabalhou com a nata da música pesada, incluindo em seu currículo artistas como o Beatle Paul McCartney, os cantores Bruce Springstteen e Prince, além de bandas lendárias como Faith no More, Sepultura, SOAD, Linkin Park, Slayer e, talvez o álbum mais bem mixado do Avenged Sevenfold, "Nightmare". Toda essa busca por investimento em qualidade reflete no resultado final de Impera que nos faz ter esperança, uma vez que se já não temos o Edguy para continuar o legado do hard rock anos 80, ao menos o Ghost BC parece estar empenhado em levantar essa bandeira com afinco.
Ficha técnica
Lançamento: 11 de março de 2022
Gravadora: Loma Vista Recordings
Gênero(s): Hard Rock
Produção/Mixagem: Klas Åhlund/Andy Wallace
Capa: Zbigniew Bielak
Por: Cléber Vinhoza em 10/05/2022
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