Power Up é o AC/DC sendo o AC/DC
O AC/DC retornou aos estúdios e lançou, o tão aguardado pelos fãs, Power Up após seis anos sem lançar álbuns de estúdio, já que o último havia sido o Rock or Bust de 2014. Para o Power Up a banda retornou com o mesmo produtor do álbum anterior Brendan O'Brien, responsável também pela mixagem, mas infelizmente teve uma baixa desde Rock or Bust uma vez que Malcoln Young veio a falecer em novembro de 2017.
O álbum, sem perder as características da banda, acaba servindo também como uma homenagem ao artista e começa com Realize, que tem um riff de guitarra marcando as estrofes e um refrão não tão explosivo marcado por coros. Em seguida vem a oitentista Rejection com seu ar de rock rock radiofônico e claramente feita para soar retumbante ao vivo.
Shot in the Dark já era conhecida do público e parece um heavy metal da primeira metade dos anos 80 com uma melodia, que em algumas curtas passagens, lembram longinquamente a Heavy Metal de Sammy Hagar. Through the Mists of Time tem uma levada mais country rock em suas estrofes e ganha mais potência em seu refrão com o retorno dos coros. Ponto para o instrumental aqui composto por Angus Young na guitarra, Phil Rudd na bateria, Cliff Williams no baixo e Stevie Young na guitarra base.
E se na faixa anterior o instrumental brilha, em Kick you when you're down os vocais ganham muito destaque, não só por Brian Johnson cantando muito bem como também pelos coros aqui dando realmente força ao refrão ao refrão e não apenas mascarando um refrão apagado. A música marca também por conter um solo de guitarra de Angus Young embora curto.
Witch's Spell tem uma bateria e baixo marcando bastante a canção enquanto o vocal e a guitarra flutuam com feeling sobre a batida. Demon Fire começa ao melhor estilo ZZ Top fazendo pausas nos riffs de guitarras entre os entradas dos vocais (um efeito marcante do rock n' roll anos 50) e após a introdução com vocal grave a voz aguda de Johnson volta a ganhar protagonismo.
Wild Reputation é novamente uma canção marcada por uma batida, assim como Witch's Spell, porém aqui além da bateria e do baixo a guitarra também segue o mesmo ritmo dando uma ar menos criativo para a música. No Man's Land soa bem mais cadenciada que as anteriores, porém sem perder o peso dos riffs distorcidos das guitarras da banda. Não chega a ser um blues rock mas é um hard rock com muito menos velocidade.
Systems Down tem um riff pesado, porém a música soa pouco criativa e talvez tenha faltado uma melodia mais marcante embora tenha um bom solo. Mas, no geral, esquecível. Money Shot é um pouco mais melodiosa que a anterior mas já sugestiona que talvez o álbum seja mais comprido do que deveria pois a falta de inspiração já começa a deixar tudo muito monótono e repetitivo a ponto de nem um hard rock no último volume empolgar.
Code Red fecha o álbum com uma levada mais blues rock tentando se distanciar das duas anteriores, porém mais uma vez esbarra no mesmo problema que parece seguir por todo álbum: a falta de melodias marcantes e refrãos mortes. No final das contas, olhando o álbum como um todo a impressão que fica é que o álbum começa empolgante muito mais pelo entusiasmo que o AC/DC causa nas pessoas e com o tempo vai entregando uma enorme falta de inspiração e repetições de ideias.
Ficha técnica
Lançamento: 13 de novembro de 2020
Gravadora: Columbia
Gênero(s): Hard Rock; Rock n' Roll
Produção/Mixagem: Brendan O'Brien
Capa: Ben IB
Por: Cléber Diniz em 05/01/2021
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