Ensaios
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Olá pessoas, hoje vamos refletir sobre um dos filmes de ficção científica mais impactantes dos últimos anos: "Distrito 9". Mas fique ligado pois o texto a seguir pode conter spoilers do longa, então caso ainda não tenha assistido essa obra prima, assista, e depois retorne aqui.
Disco viador sobre Nova Ior.... Johanesburgo?
O ano de 2009 foi um ano de mudanças para os filmes de invasão alienígena, pois não bastasse "Avatar" para sair um pouco do estereótipo de naves alienígenas invadindo a Terra, no mesmo ano houve ainda o lançamento de "Distrito 9", um filme do diretor Neill Blomkamp ("Chappie", "Elysium") onde os alienígenas chegam a Terra, mas por acidente, e é a partir daí que tudo começa a ficar interessante.
Ao chegar na Terra o disco voador, ao contrário do que é de praxe, não paira sobre Nova York ou Los Angeles mas sim sobre Johanesburgo, capital da África do Sul, e ali permanece imóvel sem dar sinais de atividade até que as autoridades decidem invadir a nave para saber o que havia dentro. Ao invadir, os humanos se deparam com vários alienígenas de aparência propositalmente desagradável, desnutridos e inofensivos.
Tendo os humanos o poder de decidir o destino dos frágeis alienígenas, o diretor demonstra todo o jogo de interesses no poder que influência a vida dos desamparados uma vez que o mesmo também é da África do Sul e usa a situação dos aliens como sátira para falar sobre um assunto muito delicado: o Apartheid. Os alienígenas são jogados numa gigantesca favela chamada Distrito 9, sem saneamento básico, para viver em barracas, assim como no regime sul africano do século XX.
Quando a população humana, que vivia próxima ao distrito, começa a se queixar da presença próxima dos alienígenas, que são chamados pejorativamente de "camarões", as autoridades do país contratam uma agencia paramilitar chamada MNU (Multinational United) para fazer o trabalho de realocação dos aliens para um novo distrito longe da cidade. Para fazer essa missão eles contratam Wikus Van De Merwe, um diretor da organização interpretado por Sharlto Copley ("Elysium", "Chappie").
Wikus infectado
Wikus trata os alienígenas como bichos ou mesmo como coisas e não sente qualquer empatia pelos mesmos até que sua vida muda completamente após ingerir um líquido preto viscoso de um frasco na cabana de um dos alienígenas. Wikus começa a sofrer mutação genética e passa a gradativamente se transformar em um dos aliens.
Desesperado, ele procura ajuda, mas ao invés de se preocuparem em salvar sua vida, os membros da organização se veem mais interessados no processo biológico que está fundindo as células humanas de Wikus com o DNA alienígena dando a eles o poder de usar as armas alienígenas confiscadas na nave que só podem ser usadas em contato com o DNA dos aliens.
Sem saber o que fazer, ele se refugia no Distrito 9 e passa a enxergar as coisas do ponto de vista dos alienígena É aí que o filme se torna genial, pois transporta o telespectador até então indiferente com os aliens, para suas peles, o fazendo sentir empatia por aqueles seres e consequentemente o fazendo até mesmo torcer para que eles vençam no final e consigam ir para casa.
"Distrito 9" não é um filme complicado, intrincado e nem tenta ser o filme mais complexo do mundo, mas dentro de sua simplicidade, com uma boa dose de ação, o filme cumpre muito bem seu papel na ficção científica, que sempre teve como alma usar a linguagem da ciência como pretexto, não para falar sobre o futuro e raças alienígenas em naves espaciais, mas sim sobre nós humanos em nossa sociedade e nosso presente como consequência do passado. Não atoa, o filme foi merecidamente indicado a quatro Oscars em 2010, sendo eles, Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Edição.
Pôster do filme
Por: Cléber Vinhoza; Texto publicado originalmente na primeira versão do blog em 02/11/2020 e republicado em 26/04/2021
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