Ensaios
Ensaios
Olá pessoas, hoje vamos continuar falando sobre algumas séries e documentários que me levaram a ter a paixão pelo conhecimento que tenho hoje. Recentemente falei aqui sobre "Cosmos" e como a série abriu meu horizonte de paixão pelas estrelas. No texto de hoje, vou falar sobre um outro documentário que também passava na TV Escola chamado "Bandeiras europeias: cores e símbolos" e como a educação no nosso país está cada vez mais defasada.
"Bandeiras Europeias" e a crise na educação
Logo de "Bandeiras Europeias: Cores e Símbolos"
Lembro-me de, em minha infância, assistir muito a TV Escola, TV Cultura, Futura e TV E (Hoje TV Brasil), pois eu não tinha acesso a canais fechados como Animal Planet, Discovery e National Geografic para suprir minha curiosidade, e fora a Globo, SBT, Record, Band e Rede TV, esses eram os canais que haviam disponíveis.
Mas se engana quem pensa que a programação desses canais era ruim, muito pelo contrario. Na TV Escola tive acesso a muitos documentários, séries e até desenhos que me ajudaram a moldar meu carácter e minha personalidade. Documentários como "Cosmos" (do qual já dediquei todo um artigo aqui no blog), "ABC da Astronomia", "Deu a louca na História", animações como "Grandes Civilizações", "De onde vem?", "As aventuras de Gali e Nico", de pequenas séries mostrando a visão no microscópio do mundo invisível das células, entre tantos outros.
Dentre os meus documentários prediletos estava "Bandeiras europeias: cores e símbolos", que consistia em pequenos vídeos de cerca de 12 minutos de duração, cada um contado a história da formação de um Estado europeu através de sua bandeira. O documentário me parecia muito interessante pois, muito mais do que explicar que tal cor simboliza o sangue derramado em uma rebelião, a série contava como se deu aquela rebelião e os acontecimentos que levaram a ela. É mais, ou menos, como explicar mais profundamente que as cores da nossa bandeira que representam hoje nossas matas e riquezas naturais estão, na verdade, historicamente ligadas de maneira muito mais profunda e intrínseca as dinastias das famílias reais do período imperial Casa Bragança e Casa Habsgurgo.
Logo da estinta TV Escola
E é exatamente essa maneira de contar e explicar matérias de maneira inteligente que envolva o jovem com curiosidades que falta, às vezes, as nossas escolas. O clima monótono da grade curricular, muito frequentemente contribui para o desinteresse do aluno, que já é bombardeado de incentivos ao desinteresse pelos estudos: é o pai em casa fazendo pressão para o filho arrumar logo um emprego porque estudar não sustenta ninguém, é a mídia tradicional fazendo de tudo para emburrecer a população e transformá-la em massa de manobra, é o próprio Estado que, infelizmente, tem um histórico de governos conservadores que, não só cortam frequentemente a verba de investimento na educação piorando a qualidade das escolas públicas, como também os constantes projetos de leis que tentam passar como por exemplo, a tentativa de obrigar professores a ensinar criacionismo nas aulas de biologia evolutiva, entre outras atrocidades.
Em 2019, por exemplo, o atual presidente da república Jair Bolsonaro (presidente durante a data de publicação deste texto), defendeu publicamente o cancelamento do contrato do Ministério da Educação com a TV Escola, pois segundo o político, o canal "deseduca" o jovem com suas "ideologias de esquerda". Fatos como esse só mostram o estado degradado que nossa educação já está, pois ao invés de gerar revolta popular (como seria em um país que presa pelo conhecimento como Noruega ou Dinamarca) o fato, ou passa despercebido, ou é defendido por parte da população, que também demoniza o conhecimento com base em preceitos filosóficos gerados por instituições religiosas ou por filosofias conservadoras.
Segundo Bolsonaro, o canal segue os preceitos do, segundo ele, "energúmeno" Paulo Freire e por isso são seguimentos de esquerda. Mas o que é pensamento de esquerda? Ensinar astronomia? Ensinar evolucionismo? Segundo o presidente, que recentemente gastou 632 milhões em alimentos para o Ministério da Defesa, incluindo 2 milhões só com vinho, declarou que 350 milhões seriam jogados no lixo caso o contrato com a emissora educativa fosse mantido.
Logos de canais do YouTube e podcasts
Por sorte, ainda temos pessoas na internet que se interessam por compartilhar conhecimento, se utilizando, inclusive de uma linguagem acessível e divertida, algo que não havia em minha infância. Canais como Blablalogia, Nerdologia, Canal do Pirula, Quadro em Branco, Meteoro Brasil, Manual do Mundo e podcasts como Dragões de Garagem, Nerdcast, Não Freud, Café da Manhã, Filosofia Pop, Coisa de Criança entre muitos outros fazem um ótimo trabalho na internet de espalhar conhecimento e informação e são ótimas indicações, pois diante do atual cenário, resta-nos torcer para que, assim como eu em meu tempo de infância, o jovem de hoje tenha, por conta própria, o interesse por aprender.
Por: Cléber Vinhoza em 09/04/2021; Fontes: www1.folha.uol.com.br, istoe.com.br
Continue lendo:
Sobre o blog:
Olá pessoas, criei este blog com o intuito de compartilhar com vocês, leitores, parte do meu trabalho como escritor, além de ser um meio de divulgação de projetos futuros. Não deixem de favoritar o site no seu navegador padrão para estar sempre visitando e se atualizando do conteúdo do mesmo. O site é abastecido diariamente com ensaios reflexivos sobre temas variados (incluindo análises de filmes e séries), crônicas, resenhas sobre trabalhos musicais de artistas diversos, curiosidades, oficinas de leitura e playlists de História e top 10. Por: Cléber D. Vinhoza.