Coluna do Cléber
Coluna do Cléber
Olá pessoas, e vamos de mais pastagem aqui no blog. Resolvi falar um pouco sobre obras que me inspiraram a me apaixonar por história, ciência e filosofia, temas que serão recorrentes nos textos de sexta-feira aqui no blog.
Cosmos e a paixão pelo desconhecido
Às vezes não tem jeito, a gente simplesmente nasce com uma pulga atrás da orelha. Lembro-me de quando eu era criança e como toda criança normal, também queria, ao sair do colégio, ir brincar, jogar bola, ver desenho e jogar video game, mas uma característica em particular me fazia sentir um pouco diferente das demais: Meu interesse quase exabundante por descobrir o mundo.
Eu tinha muita curiosidade de descobrir de onde as coisas vinham e/ou do que eram feitas e, por conta disso, lembro-me de, ao sair da escolar, ir para casa e ligar a TV em canais como Cultura, TV Brasil (na época TV E) e TV Escola para assistir séries animadas educativas como o De onde vem?, e foi aliás, nesse desenho que descobri coisas interessantes que nunca mais esqueci como de onde vem o vidro, por exemplo. Lá também vi, pela primeira vez uma mulher dando a luz em um documentário que acompanhava uma gravides do início ao fim, vi o fantástico mundo no microcosmo em um programa onde víamos coisas no microscópio, havia o desenho animado do Gali e Nico entre outros programas que me ajudaram a despertar meu interesse por astronomia. Mas nenhum desses programas me instigou tanto quanto Cosmos, por Carl Sagan.
Carl Sagan nos anos 80
Cosmos, uma viagem pessoal estreou em 1980 com um grande desafio: o de fazer o que a ciência sempre se mostrou mais incompetente em fazer: Apresentar o método científico para o grande público de maneira que não parecesse chato e despertasse a curiosidade das pessoas por explorar o desconhecido e a série não poderia ter maior êxito. Lembro-me que, mesmos sendo criança, eu não conseguia desgrudar os olhos da TV, eram outros tempos onde eu não tinha acesso à internet ou à TV fechada e apegava-me a cada detalhe, nome ou citação dada por Carl, desde as histórias pessoais dos cientistas da idade média e pré-iluminismo, o que tinha nos mundos explorados pela nave imaginária até ter, pela primeira vez, referência de autores como H.G. Wells, autor de A Guerra dos Mundos e John Carter de Edgar Rice Burroughs, no icônico episódio de Marte, que contava a história dos foguetes, cujas artes de Frank Frazetta faziam minha imaginação delirar entre as estrelas.
John Carter e Dejah Thoris lutando contra tharks em Barssom por Frank Frazetta
O que mais me chamava a atenção nessa série era a maneira didática como Sagan conseguia explicar elementos tão complexos, como a teoria da relatividade de Albert Einstein, usando exemplos do cotidiano, como uma lambreta na Itália e simplesmente fazendo comparações de velocidade e expondo certas leis do Cosmo, como a intransponibilidade da velocidade da luz. Um outro exemplo clássico é o Calendário Cósmico, do qual Sagan se utilizava para explicar para a limitada mente humana que só consegue viver por pouco mais que um século, em raríssimas exceções, o passar de eras e eras e o quanto o universo existe a bilhões de anos e como mundos como a Terra surgiram, emergiram vida que evoluiu, cresceu, se extinguiu, desapareceu incontáveis vezes antes mesmo de nosso mundo pensar em existir ou mesmo nosso pequeno Sol comparado a estrelas que são milhares de vezes maiores.
Calendário Cósmico por Carl Sagan (Reprodução)
Cosmos inspirou uma série de outros documentários científicos, criando um estilo e formato, que foi copiado vária vezes e parecia dar certo, mas a série Cosmos em si parecia um daqueles casos imaculados em que não se pode mexer na obra, até pelo fato de Carl Sagan estar morto. Isso durou até 2014, quando estreou Cosmos, uma odisseia no espaço-tempo, apresentada por ninguém mais, ninguém menos que Neil DeGrasse Tyson, astrofísico que foi pupilo de Carl Sagan na infância.
É impossível, para quem viu o Cosmos original de Carl, não se emocionar com o primeiro episódio da série de Tyson que começa exatamente na mesma praia que Carl estava no primeiro episódio da série original jogando o dente de leão. DeGrasse conta ao longo do episódio sua relação com Carl Sagan e como o mesmo o inspirou a se tonar um cientista, assim como inspirou todos nós amantes da ciência, a desbravar os mistérios do universo, só que no caso dele, de uma maneira muito mais próxima e pessoal.
Ao longo da série, a exemplo da original, nós aprendemos não só sobre astronomia em si, juntamente com física, química e biologia como também sobre a história dos cientistas e filósofos como Giordano Bruno, que morreram de forma heroica para defender o conhecimento e o pensamento cientifico.
Neil DeGrasse Tyson (Divulgação)
Por: Cléber Vinhoza em 19/03/2021
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