Ensaios
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Olá pessoas, hoje eu trouxe para vocês um ensaio a respeito de "Digimon Adventures: Last Evolution Kizuna", o que talvez seja, possivelmente, a última obra da franquia "Digimon Adventures" e vocês já vão entender o porquê de eu pensar isso. Mas como não poderia deixar de lembrar vocês, não se esqueçam de, após ler o texto, dar uma olhada nas sugestões de posts, para que vocês continuem lendo outros ensaios, resenhas, matérias, comentários, etc, e compartilhar com seus amigos, não só esse post, como também as redes sociais do blog deixadas no rodapé da página, para que, assim, vocês fiquem sabendo sempre que uma nova atualização for realizada no blog.
A.. é bom lembrar que o texto a seguir contém spoilers de "Digimon: Last Evolution", principalmente do final, então só leiam depois de terem assistido ao filme.
Last Evolution e o fim da infância
"-Narutoooo", "-Sasukeeeee", a não... esse é outro desenho
Eu nasci em 1994 e como parte da geração Y cresci em um período histórico muito específico que me permitiu viver algumas infâncias de gerações diferentes. Brinquei de pique, bola, pipa e peão como as crianças das gerações dos anos 70, gostava de super heróis, filmes de Sessão da Tarde e "Chaves" e "Chapolin" como as crianças das gerações da década de 80 e joguei video games como as crianças das gerações dos anos 2000. Tudo isso em um período específico no espaço-tempo chamado "anos 90". E como qualquer um que tenha feito parte dessa geração e nascido, mais ou menos, na mesma época que eu, minha infância foi muito marcada por um segundo fenômeno de cultura pop não tão presentes às crianças dos anos 80 fãs de super-heróis e cultura norte-americana: os animes e cultura otaku japonesa.
Depois do sucesso que alguns animes e tokusatsus fizeram na Rede Manchete, a Rede Globo, o sbt e a Band começaram a investir em programas vindos da terra do sol nascente. Grandes clássicos como "Dragon Ball", "Yu Yu Hakusho" e "Os Cavaleiros do Zodíaco" fizeram muito sucesso por essas terras tupiniquins, mas no final dos anos 90 os canais precisavam de novas atrações e quando a Record, tentando embarcar na onda dos animes, trouxe "Pokémon" para o Brasil a Globo se mostrou obrigada a fazer alguma coisa para competir, pois o anime estava batendo muitos pontos de audiência e era sucesso de merchandising com a venta de mochilas, cadernos, brinquedos, tazos, etc, além é claro dos jogos da Nintendo. Para tal o Globo trouxe do Japão nada mais, nada menos que "Digimon". A tarefa de trazer algo que se comparasse a "Pokémon" em sucesso que parecia até então difícil se concretizou. Digimon fez um enorme sucesso, vendeu tazos, brinquedos, álbuns de figurinhas, jogos de videogame, materiais escolares e até roupas infantis aos montes, e eu, como uma criança da época, fui extremamente impactado por "Digimon".
"Digimon" é uma daquelas marcas japonesas que têm não uma, mas várias franquias sendo que "Digimon Adventures" é uma delas. Dentro do universo "Adventures" estão "Digimon Aventures" (que veio para o Brasil como, apenas, "Digimon"), "Digimon Adventures 02" (que veio para o Brasil como "Digimon 2"), o filme "Digimon: The Movie" ("Digimon: O filme", no Brasil), que era, na verdade, uma compilação do curta metragem "Digimon Adventure", e dos filmes média metragem "Our War Game" e "Hurricane Touchdown!! / The Golden Digimentals", os OVA "Digimon Adventures Tri" e, finalmente, o filme "Digimon: Last Evolution Kizuna". Este último filme se passa após os acontecimentos de "Digimon Adventures Tri".
"-Tai, eu tô com fome", ops, dessa vez ele falou outra coisa
Em "Last Evolution" revemos os digiescolhidos 10 anos após a primeira aventura deles no Digimundo. Se eles estavam com a faixa dos 12 anos de idade, significa que a faixa média agora é de 22 anos. Eles estão iniciando suas vidas adultas e, sem tempo, vemos os velhos amigos terem cada vez menos contato uns com os outros (experiência que todos os adultos já passaram um dia), e é nesta situação que aparece Menoa, uma garota que se aproxima dos digiescolhidos revelando a eles que quando um digiescolhido se torna adulto seu digimon parceiro deixa de existir. Isso deixa todos chocados, mas não há muito tempo para pensar pois, paralelo a isso, surge a ameaça do Eosmon, um digimon artificial. E o problema é que cada vez que os digiescolhidos enfrentam Eosmon seu tempo diminui ainda mais drasticamente.
Como em qualquer shonen, o comum é que toda situação adversa sempre consiga ser driblada, mesmo com o filme criando a sensação de urgência o tempo todo, esperamos que no final Tai encontre uma forma de ficar com Agumon. E aqui entra o grande triunfo deste filme: ele não é um filme shonen comum. Na verdade este filme é um seinen, pois foi feito não para conquistar novos fãs para a franquia (essa tarefa seria dada ao remake da série original que foi ao ar no Jaão em 2020) mas para os fãs mais velhos, os que eram crianças em 99 e hoje são adultos. Nós, adultos da geração Y vivemos em uma eterna lua de mel com nossa infância, entrando em comunidades para reclamar de animes feitos para crianças e esse filme, através de sua metalinguagem, nos mostra que, talvez, esse seja um sintoma de uma síndrome de Peter Pan.
No final do filme Agumon e Tai derrotam o vilão como em qualquer shonen, os heróis e o bem vencem, você fica esperando os dois se abraçarem e irem para casa para viverem novas aventuras no futuro como se a vida existisse em um limpo temporal onde ninguém envelhece, onde as coisas não mudam e onde seus amigos deixam de ter tempo para você. Tai então se despede de Agumon, você espera que algo vai mudar o destino deles, a música tema começa a subir, você espera que algo vai mudar o destino deles, Tai segue confiante, você espera que algo vai mudar o destino deles, Tai olha para o lado, Agumon não está mais, você espera que foi um susto, que foi uma pegadinha do diretor do filme, os créditos sobem. Você fica perplexo ao perceber que Agumon, de fato, se foi. E por Agumon aqui, entenda como um totem para a própria infância. Não que devemos nos tornar adultos rancorosos e sem a alegria de viver da infância, mas talvez o maior desafio de nossa geração seja encontrar o equilibro entre preservar essa magia da infância e, ao mesmo tempo, não permitir que isso nos impessa de assumirmos os compromissos que temos com a vida. "Digimon: Last Evolution" é mais que um filme, é um ritual de passagem.
Trailer do filme com audio em japonês e legendas em inglês
Por: Cléber Diniz em 20/04/2022
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