Ensaios
Ensaios
Olá pessoas, hoje vamos falar sobre "A tragédia de Macbeth", a adaptação de um dos melhores diretores da atualidade da obra de um dos maiores escritores da história. Mas antes de ler o ensaio, gostaria de lembrá-lo de que você pode apoiar o blog indicando-o para um amigo, além de seguir a Biblioteca Secreta nas redes sociais deixadas no rodapé da página. Depois de ler o ensaio não deixe de dar uma olhada nas sugestões de matérias para você ficar por dentro de todo o conteúdo do blog.
Embora a obra tenha seus mais de 400 anos, é sempre bom lembrar que o texto contém spoilers, tanto da peça original quanto de suas adaptações.
O responsável pela tragédia de Macbeth
Joel Coen, famoso por, junto de seu irmão Ethan Coen, ter dirigido filmes de prestígio como "Onde os fracos não tem vez" e "Fargo", se deu ao desafio de readaptar uma das obras mais adaptadas do brilhante e famigerado dramaturgo britânico William Shakespeare: "A tragédia de Macbeth".
Para se distanciar de outras adaptações da obra, Joel Coen resolveu adotar um estilo estético diferente, que vai desde a adoção do formato 4:3, até a escolha de uma paleta monocromática em preto e braco. Mas, sem dúvida, o que mais chama a atenção em relação à estética do filme, além do texto rebuscado retirado diretamente da obra de Shakespeare, é sua fotografia, figurinos e cenários claramente influenciados pelo expressionismo alemão, que apesar de remeter a grandes clássicos do cinema como "Frankenstein" e "O gabinete no Doutor Caligari" e ter sido referenciado por alguns diretores dos anos 80 e 90, como David Lynch e Tim Burton em clássicos como "O homem elefante" e "Edward mãos de tesoura", parece vir ganhando um novo fôlego na mãos de diretores respeitados da nova geração, como no excelente "O farol" de Robert Eggers.
Tal escolha estética não poderia ser mais precisa, uma vez que a peça Macbeth é sim uma tragédia, mas no sentido mais aristotélico possível, uma vez que, diferente de hoje em que há vários gêneros literários, na Grécia antiga existiam apenas dois: a comédia em que as estórias se encerravam com finais felizes e as tragédias em que as estórias se encerravam com finais trágicos. Na obra temos Macbeth (interpretado no longa de forma magnífica por Denzel Washington, o que lhe rendeu sua décima indicação ao Oscar de melhor ator), como um Senhor da Guerra (ou general se preferir) muito prestigiado pelo rei Duncan da Escócia por sua competência e lealdade, até que algo muda de forma significativa a vida de Macbeth.
A bela fotografia em preto e branco é do consagrado diretor de fotografia Bruno Delbonnel
Durante o retorno de uma campanha militar, Macbeth e seu fiel escudeiro Banquo veem três velhas adivinhas (vezes referidas como bruxas ou moiras) que lhe concedem a visão do futuro e nesse futuro visto por ela Macbeth se torna rei e Banquo dará inicio a uma linhagem de reis embora ele próprio não se tornará um. Após revelar a previsão das bruxas à sua esposa Lady Macbeth, Macbeth começa a ser persuadido e convencido por ela a assassinar o rei e tomar o trono o quanto antes, pois ela era uma mulher soberba. Macbeth era amigo do rei e portanto não desejava matá-lo, entretanto após apelar para sua masculinidade, Lady Macbeth consegue o que queria. Macbeth entra nos aposentos do rei e o assassina. Com medo de um regicida a solta os filhos do rei fogem, o que os fazem parecer culpados, tornando Macbeth o próximo da linha de sucessão.
Após conquistar o trono, Macbeth ainda está transtornado pela morte de Duncan, mas sua esposa Lady Macbeth o convence de que Banquo também deve morrer, pois a profecia o previa como pai de reis. Macbeth também trai e mata seu melhor amigo e se torna seguro do trono, porém o momento de chave de ouro da peça é durante um jantar cerimonial. Macbeth se encontra completamente transtornado e mergulhado em remorso, o que de certa forma, aparentemente, prejudica suas faculdades mentais. Durante o jantar Macbeth vê seu amigo Banquo, ou pelo menos o que parece ser o fantasma do mesmo, vindo até o salão todo ensanguentado e sentando-se à mesa. Macbeth então começa a discutir com Banquo, o que faz todos na mesa ficarem perplexos com Macbeth conversando com Banquo embora Banquo não estivesse ali e revelando que o matou. Isso acaba custando a cabeça de Macbeth e, após isso, o filho de Banquo é coroado rei.
Este é um pequeno resumo da peça, que gira em torno da ambição humana e de como a sede de poder arruína o homem levando-o a perdição. No inicio da obra Macbeth é um homem poderoso, prestigiado pelo rei e querido em seu país mas põe tudo a perder por querer ter o que pertencia ao outro. No final o que fica é o questionamento: seria Macbeth uma marionete do destino previsto pelas videntes, ou foi o próprio Macbeth, tomado por uma ideia egocêntrica, a ter traçado esse destino para si mesmo? Quem escolheu matar o rei? Quem escolheu matar seu melhor amigo? Quem é o responsável pela tragédia de Macbeth?
O filme conta com cenários minimalistas e tom monocromático em sua composição poética
Por: Cléber Vinhoza em 28/03/2022
Continue lendo:
Sobre o blog:
Olá pessoas, criei este blog com o intuito de compartilhar com vocês, leitores, parte do meu trabalho como escritor, além de ser um meio de divulgação de projetos futuros. Não deixem de favoritar o site no seu navegador padrão para estar sempre visitando e se atualizando do conteúdo do mesmo. O site é abastecido diariamente com ensaios reflexivos sobre temas variados (incluindo análises de filmes e séries), crônicas, resenhas sobre trabalhos musicais de artistas diversos, curiosidades, oficinas de leitura e playlists de História e top 10. Por: Cléber D. Vinhoza.