Ensaios
Ensaios
Olá pessoas, após assistir Invencível comecei a refletir sobre obras de super-herói voltadas para o público adulto e então resolvi transformar minhas ideias em um texto para o blog. Espero que gostem.
O que torna super-heróis adultos?
Depois do imenso sucesso que os quadrinhos tiveram no início do século XX, pelo seu baixo preço e acessibilidade, em 1954, por influência do livro "Seduction of the Innocent" do psiquiatra alemão Fredic Wertham, iniciou-se nos EUA uma pressão para a criação, do que viria a ser, o Comic Code Authority, um selo da Associação Americana de Revistas em Quadrinhos, que em termos diretos "castrou" grande parte do potencial que as histórias tinham.
Após a criação do selo uma série de mudanças foram feitas em personagens já famosos e consolidados da cultura pop americana como, por exemplo, o Batman que fora criado como um justiceiro sombrio e então se tornou um personagem de obras infantis que viria a dar origem a série de TV do Adam West em 1966. Além da série de TV, o Batman dos quadrinhos da época, também viria a ficar eternizado na série animada dos "Super Amigos" de 73 produzida pela Hanna-Barbera.
Com o tempo, o selo foi perdendo o efeito e as editoras, para driblar o código, começaram a criar revistas com selos adultos, ou no mais notável caso, a MAD simplesmente mudou de formato de gibi para o formato magazine para não atender ao selo, já que suas histórias continham conteúdo voltado ao público adulto. Nos anos 70 o Batman já começou a sofrer mudanças com a liberdade criativa de alguns escritores como Denny O'Neill, considerado o responsável por trazer de volta as origens sombrias do personagem.
Mas se os anos 70 foram uma década de transição, foi nos anos 80 que, de forma definitiva, os quadrinhos nos EUA, ganharam o peso e o status de chamar a atenção de críticos literários. Afinal, houve não só a ascensão de quadrinistas revolucionários norte-americanos como Frank Miller, como também a invasão britânica nos EUA, onde grandes nomes do meio, como Neil Gaiman e Alan Moore, lançaram grandes clássicos.
Nessa leva, Frank Miller lançou "Batman, o Cavaleiro das Trevas" onde, de uma forma definitiva, o Homem Morcego voltou ao seu status de vigilante noturno e isso influenciaria, inclusive, os quadrinhos mensais regulares dali para frente, com histórias onde o Batman caçava traficantes de drogas, serial killers, entre outros tipos de criminosos realistas. Moore não ficou atrás e lançou "Watchman", obra onde o autor desconstrói o gênero e expõe toda a carga ideológica de propaganda nacionalista e reacionária que essas obras continham desde o período entre guerras onde era mostrado heróis servindo sua pátria da Segunda Guerra.
Mas a grande questão é que, seja "Watchman" com suas críticas sociais ásperas ou "Sandman" de Neil Gaiman com sua profundidade filosófica e criativa, os quadrinhos têm já há, pelo menos, três ou quatro décadas lidado com questões realmente reflexivas e relevantes dentro de seu tempo.
Quando a série animada "Invencível", baseada no quadrinho de mesmo nome, de Robert Kirkman do início dos anos 2000, ganhou vida em 2021 com a produção da Amazon Prime Video, o que se viu foi um grande reboliço e histerismo na internet com adjetivações que classificavam a série como adulta pelo simples fato de ter muita violência. Mas se fizermos um exercício de retirar toda a violência gratuita da série, o que mais sobrará além de uma animação padrão com dramas adolescentes em um colégio à la "X-Men" ou uma aventura regular do Superman em um quadrinho mensal onde alienígenas vêm à Terra para torná-la parte de seu império?
Por: Cléber Vinhoza em 07/05/2021
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